Eunice Muñoz_Bio

Eunice Muñoz

Nasceu em Amareleja, Moura, a 30 de julho de 1928 é uma atriz portuguesa de referência do teatro, televisão e cinema português, considerada unanimemente uma das melhores atrizes portuguesas de todos os tempos. Doutora honoris causa pela Universidade de Évora, em 2009. Com origens numa família de atores, filha de Hernâni Cardinali Muñoz e de Júlia Campos do Carmo Muñoz (aliás Mimi Muñoz) e irmã de Hernâni do Carmo Muñoz e de Francisco Fernando do Carmo Muñoz, Eunice Muñoz estreou-se em 1941, na peça Vendaval, de Virgínia Vitorino, com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II. O seu talento é de imediato reconhecido e admirado por Palmira Bastos, Raul de Carvalho, João Villaret e pela própria Amélia Rey Colaço, o que lhe permite uma rápida integração na Companhia. Em 1943 contracena com Palmira Bastos em Riquezas da Sua Avó, uma comédia espanhola aportuguesada por Ascensão Barbosa, José Galhardo e Alberto Barbosa, ao que se segue, no ano seguinte, Labirinto, de Manuel Pressler. No verão desse ano protagoniza a opereta João Ratão, ao lado de Estêvão Amarante. Continuou a colecionar sucessos, ao lado de Maria Lalande e Irene Isidro (Raparigas Modernas, de Leandro Torrado), sendo ainda dirigida por Maria Matos em A Portuguesa, de Carlos Vale. Já a frequentar a Escola de Teatro do Conservatório Nacional celebriza-se em A Casta Susana, de Georg Okonkowikski. Termina o Conservatório com 18 valores e populariza-se no palco do Teatro Variedades, com Vasco Santana e Mirita Casimiro na peça Chuva de Filhos, de Margaret Mayo. Em 1946 dá-se a sua estreia no cinema, aparecendo no filme de Leitão de Barros, Camões. Por esta interpretação, Eunice ganha o prémio do Secretariado Nacional de Informação, para a melhor atriz cinematográfica do ano. Um Homem do Ribatejo (1946), de Henrique Campos e Os Vizinhos do Rés-do-Chão (1947), de Alejandro Perla, são os trabalhos que se seguem. Em 1947 casa-se pela primeira vez com o arquitecto Rui Ângelo de Oliveira do Couto (Lisboa, 3 de agosto de 1917 - Elvas, 13 de dezembro de 1998), de quem teve uma filha. Em 1948 regressa ao Teatro Nacional para protagonizar Outono em Flor, de Júlio Dantas. Seguidamente Espada de Fogo, de Carlos Selvagem, encenado por Palmira Bastos, é um êxito retumbante. Trabalha novamente no cinema, protagonizando A Morgadinha dos Canaviais, de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari (1949), adaptado do romance homónimo de Júlio Dinis. Participa ainda em "Ribatejo" de Henrique Campos. Volta aos palcos em 1950, faz a revista O Disco Voador no Teatro Maria Vitória, a comédia Ninotchka, de Melchior Lengyel, contracenando com Igrejas Caeiro, Maria Matos e Vasco Santana. Em 1951 ingressa na Companhia do Teatro Ginásio, dirigida por António Pedro. Dessa época salienta A Loja da Esquina, de Edward Percy. Passa pelo Teatro da Trindade e retira-se por quatro anos da atividade teatral, para grande exclamação dos jornais, dos críticos e do público. A sua reaparição dá-se em Joana D' Arc, de Jean Anouilh, no palco do Teatro Avenida. Multidões perfilam-se pela Avenida da Liberdade, desejosas de obter um bilhete para ver Eunice, que a crítica aclama como genial. A 6 de fevereiro de 1956 casa-se pela segunda vez em Lisboa, Lumiar, com o engenheiro Ernesto Borges (27 de julho de 1924), tendo 4 filhos deste casamento. Em 1957, depois da peça A Desconhecida, de Pirandello, ingressa juntamente com Maria Lalande, Isabel de Castro, Maria José, Ruy de Carvalho, Curado Ribeiro e Fernando Gusmão no Teatro Nacional Popular, sob a direcção de Ribeirinho, onde interpreta a Viola de Noite de Reis de William Shakespeare e Leonor Teles da peça homónima de António Lopes Ribeiro, Júlio Dantas (Um Serão Nas Laranjeiras) e Luiz Francisco Rebello (Pássaros das Asas Cortadas), entre outros autores. Já nos anos 60 desempenha várias comédia na Companhia de Teatro Alegre, ao Parque Mayer, ao lado de nomes como António Silva e Henrique Santana. No Teatro Avenida interpreta o Milagre de Anna Sullivan, de William Gibson (Prémio de Melhor Actriz do SNI ex-aequo com Laura Alves – 1963) No mesmo ano contracena com Jacinto Ramos no Adorável Mentiroso de Jerome Kilty (em que interpretam a actriz Patrick Campbell e Bernard Show) o primeiro dos rês espectáculos a dois que terão lugar ao longo das suas carreiras.
Aparece então com regularidade na televisão, em peças repetidas por desejo expresso do público, como O Pomar das Cerejeiras, de Anton Tchekov; A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho; Recompensa, de Ramada Curto; Os Anjos Não Dormem, de Armando Vieira Pinto; ou séries, como Cenas da Vida de Uma Actriz, doze episódios de Costa Ferreira, ao lado de sua mãe, Mimi Muñoz. Regressa à comédia, contracenando com Virgílio Teixeira e Igrejas Caeiro em Mary-Mary no Teatro Variedades. Em 1965 Raúl Solnado funda com Hernani e Rui Martins a Companhia Portuguesa de Comediantes (CPC), no recém inaugurado Teatro Villaret. Eunice recebe o maior salário até então pago a uma atriz dramática: 30 contos mensais. A peça de estreia é O Homem Que Fazia Chover, de Richard Nash, encenado por Alain Oulman. Seguiram-se as interpretações de Regina Giden nas Raposas de Lillian Hellman, Alma na peça Verão e Fumo de Tennessee Williams, posta em cena pelo famoso encenador brasileiro João Bethencourt, e de Amália no António Marinheiro - O Édipo de Alfama, de Bernardo Santareno. Em 1967 atua no Teatro Variedades e no Teatro Experimental de Cascais onde protagoniza Fedra, de Jean Racine. Casa pela terceira vez com o poeta António Barahona da Fonseca (Lisboa, 7 de janeiro de 1939) de quem tem uma filha. Em 1969 novo sucesso com o espectáculo constituído por duas peças de Fernaando Arrabal (então no auge da sua fama) a Oração, um duo com Santos Manuel, e os Verdugos em mais um regresso ao Teatro Experimental de Cascais. Em 1970 cria com José de Castro a Companhia Somos Dois, com a qual faz uma longa turné por Angola e Moçambique, dirigida por Francisco Russo em Dois Num Baloiço, de William Gibson. Estreia-se na encenação com A Voz Humana, de Jean Cocteau. Em 1971 volta ao palco do Teatro da Trindade (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), ao lado de João Perry para fazer O Duelo, de Bernardo Santareno. No mesmo ano integra uma nova formação artística no Teatro São Luiz onde interpreta José Régio. Com a proibição pela censura, a poucas horas da estreia, de A Mãe, de Stanislaw Wiktiewicz, em que Eunice era a protagonista, o diretor da companhia, Luiz Francisco Rebello, demite-se e cessa a atividade desse conjunto prometedor. Dedica-se, então, à divulgação de poetas que ama, quer em disco, quer em recitais, dando voz a Florbela Espanca, António Nobre ou António Maria Lisboa voltando ao teatro para interpretar As Criadas, de Jean Genet, juntamente com Glicínia Quartin e Lurdes Norberto, na encenação do argentino Victor Garcia, no Teatro Experimental de Cascais. Faz uma longa turné por África na companhia de Carlos Avilez, onde se contam as peças Fedra, de Jean Racine, e A Maluquinha de Arroios, de André Brun. Integrada na companhia residente do reaberto Teatro Nacional D. Maria II, Eunice volta aos palcos portugueses apenas em 1978, onde viverá êxitos enormes, onde viverá êxitos enormes, Gin Game de Donald Coburn, ao lado de Jacinto Ramos; As Memórias de Sarah Bernhardt de John Murrel, com cenário de Mestre Lagoa Henriques e figurinos de Costa Reis; Mãe Coragem e os seus filhos de Bertoldt Brecht, uma interpretação sublime e um espectáculo memorável encenado por João Lourenço; o monólogo de A Criada Zerlina, de Hermann Broch, encenação de João Perry; e o espectáculo antológico da revista à portuguesa Passa por Mim no Rossio, de Filipe La Féria, realizado com toda a Companhia do Teatro Nacional.
Em 85 é convidada por Luís Miguel Sintra para participar em O Parque de Botho Strauss. Quatro anos mais tarde Eunice é a Morte em D. João e a Máscara de António Patrício, um espectáculo de Mário Feliciano, levado à cena no Teatro da Politécnica.
Em 1991, celebram-se os seus 50 anos de Teatro, com uma exposição no Museu Nacional do Teatro, sendo Eunice condecorada, em cena aberta, no palco do Teatro Nacional, pelo Presidente da República, Mário Soares. Em 1993 estreia-se em telenovelas com a interpretação de D. Branca em A Banqueira do Povo, de Walter Avancini. A Maçon, peça escrita pela romancista Lídia Jorge propositadamente para Eunice, foi à cena em 1997 no palco do Teatro Nacional e em 2001 A Casa do Lago de Ernest Thompson, encenada por La Féria, estreia no Politeama. Em 2006 representa pela primeira vez na casa a que deu nome, o Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, com a peça Miss Daisy, encenada por Celso Cleto, contracenando com os atores Guilherme Filipe e Thiago Justino. Em 2007 co-protagoniza com Diogo Infante Dúvida de John Patrick Shanley, sob a direção de Ana Luísa Guimarães no Teatro Maria Matos. Em maio de 2008 é agraciada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência. Em 2009 volta ao Teatro Nacional D. Maria II com o monólogo O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, sob a encenação de Diogo Infante. Em 2011 volta à cena com "O Comboio da Madrugada", de Tennessee Williams, sob a encenação de Carlos Avilez, no Teatro Experimental de Cascais. Ainda em 2011 apresenta "O Cerco a Leningrado" de José Sanchis Sinisterra, que teve estreia nacional em novembro, no Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras. Eunice Muñoz, que celebrou no dia 28 de novembro (dia da estreia), 70 anos de carreira, interpreta, juntamente com Maria José Paschoal, sob direção de Celso Cleto. Em maio de 2012, a atriz de 83 anos sofreu uma queda no Teatro Nacional D. Maria II durante os ensaios de reposição da peça de Tennessee Williams. A 13 de julho de 1981 é feita Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 27 de março de 1990 Eunice Muñoz foi distinguida pelo Ministério da Cultura com a Medalha de Mérito Cultural. A 26 de novembro de 1991 é feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A 8 de junho de 2010 é elevada a Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. A 28 de novembro de 2011 é elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. A 31 de julho de 2018 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. Em 13 de setembro de 2015 foi organizado o 74 Eunices, um espetáculo de homenagem à atriz Eunice Muñoz que decorreu na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II. O espetáculo foi dirigido por Cristina Carvalhal. Fizeram parte do elenco do espetáculo 74 actrizes.